Poker na educação de base

Saiu uma notícia na coluna de esporte da uol sobre a proposta do deputado Walter Fieldman que visa  a inclusão do poker nas escolas.

Sem dúvidas um bom professor de poker dando aula para alunos de ensino médio em diante tem um efeito permanente na vida do corpo discente, elevando a criatividade, mostrando a aplicação do EV para além do poker e aumentando principalmente a sensibilidade e o poder de adaptação. Mas e um mau professor?  Seria como pedir que um jogador de futebol ensine malabares com fogo…

Eu pessoalmente acredito que não existam 10 jogadores capazes de ministrar aulas com essa finalidade de mostrar exatamente a essência do poker, aplicar para a vida e servir de apoio para outras áreas do conhecimento, além disso, mesmo que houvesse muitos jogadores aptos a ensinar, esses, dificilmente abraçariam a causa por motivos óbvios.

Outra pergunta cabível seria, como pagar professores de poker? Quem pagaria jogadores com um alto nível de poker para dar aulas aos secundaristas?

Idéias incríveis como essas já estão a algum tempo sendo implementadas lá fora em algumas universidades como Havard e MIT.  Recentemente até saiu uma matéria dedicada a esse assunto no site poker strategy, mas o publico alvo desses programas são pessoas com um nível de maturidade maior, e não crianças que não estão preparadas para absorverem esse tipo de conhecimento, já que é fundamental um nível de maturidade emocional mais desenvolvido do que a média das crianças e adolescentes. Outro problema seria que inevitavelmente um percentual de crianças iria começar a jogar com dinheiro real, o que não seria nada saudável sem a orientação adequada.

A proposta do deputado é admirável e muito linda em um país onde a base escolar já é sólida, e são perguntas chaves como essas que inviabilizam a proposta do deputado.

Uma matéria essencial na educação de base e que não se escuta nem rumores é a educação financeira, sem contar que deveriam investir muito mais no estimulo a arte em geral. E a pergunta que não quer calar é, por que essa briga ninguém compra?

Acho que os nossos representantes deveriam fazer pesquisas bem mais apuradas para qualquer idéia que venham propor, e não simplesmente enxergar um esporte em alto crescimento onde rola muita grana e juntar A com B sem ao menos fazer uma pesquisa com jogadores profissionais, analisar o cenário como um todo, para aí sim botar em pauta, e não ficar criando polêmicas que possam lesar uma classe que já sofre tanto preconceito por parte da população desinformada.

Nesse momento, algo tão polêmico e aparentemente sem fundamento seria  um tiro no pé. Amanhã ou depois outro deputado propõe a inclusão de snowboard nas escolas, afinal de contas, está mais do que na hora de incentivarmos os esportes de inverno…